sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Harry & Hermione dançando de encanto

É bem um fato que muitos fãs do Harry sempre torceram pelo casal que intitula este post. Não é o meu caso, ora. Mas HP 7/1 pareceu dar algum consolo a toda uma turma que teve de ver seu sonho romântico descer pela descarga junto com a Murta que Geme desde a primeira advertência que o Rony tomou por certa sujeira em seu nariz.

Que o romance mais empolgante de toda a história era encabeçado por Rony e Hermione, ninguém jamais duvidou, ainda que torcesse contra. Mas o sentimento que envolve Harry e a mais adorável das sangue-ruins é ainda mais profundo do que o amor entre um homem e uma mulher.

Um parece conhecer a cabeça do outro e sentir o coração como o outro sente. Se entendem, se sabem e se amam a despeito de dividirem ou não um cama. Coisa que eles cansaram de fazer, sem tensões eróticas, é claro.

A produção de HP 7/1 lançou mão de toda essa intimidade, esse carinho e até correspondeu a alguma expectativa dos fãs mais ávidos por um pouco mais dos dois: que desta vez, não foram só os três de sempre, acharam lugar de ser dois: Harry e Hermione, sem Rony, sem nenhuma conotação sexual ou de outra coisa do gênero. Só queriam saber de ser eles dois. E tivemos uma "valsa" um tanto quanto engraçada e tivemos um beijo super caliente que, cá pra nós, é digno de um Movie Awards de Melhor Beijo do ano. 


Vi o filme na pré-estréa na madrugada de quinta para sexta, muita gente louca gritando, vibrando, aplaudindo e chorando (inclusive eu), e saí às duas e tanta da manhã a flutuar por Niterói feliz, feliz como nunca antes fiquei com um filme de Harry Potter. Confesso que sempre tive um queixa, alguma birra rabugenta com a adaptação, mas dessa vez, tive de me limitar a sorrir e permanecer encantado. O filme foi muito sensível para com as relações entre as pessoas e principalmente entre Harry e Hermione. 

Ora, àqueles que necessitam conhecer a música que Harry e Hermione dançaram, aqui vai uma dica http://mp3skull.com/mp3/nick_cave_o_children.html

A música se chama "O'children" e é do Nick Cave.

Termino este post sobre algo que amo com um dos pontos altos do filme, quando o Dobby nos braços do seu "Harry Potter" diz: "What a beautiful place..." enquanto contempla as maravilhas do por vir da liberdade.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Novidades!

Eu querendo escrever algo só para estrear o teclado novo que comprei, pra sentir a sua maciez, encomendo-me algo que fale sobre a novidade das coisas que compramos e o quão novas e empolgantes elas podem ser até que chegue o dia de serem postas de lado, ignoradas, banalizadas pelo uso e pela velhice inerente a tudo o que é novo.


Mas talvez, trezentos e trinta e um caracteres já sejam suficientes para envelhecer um novo teclado. E já não o quero mais, esvai-se a motivação, uma vez que era tão rasa. Deixemos de lado o novo teclado até que ele ganhe real razão de ser. Não posso fazer dele o que eu sou: um mero cumpridor de tarefas. Ele, como já disse antes, aqui, serve-me de escape, caminho de fuga e desfibrilador.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Regra de Cinco ou Teorema Falho


O que vem depois da curva era o que Pocahontas queria saber. Ela tinha nos olhos a sede do desconhecido, sede de ir buscar e fazer, desbravar quanto mais fosse possível. Hei eu de questionar também da curva, mas me interessa saber o que virá quando eu te vir cruzando a sua curva. Quando suas costas forem dadas as minhas e não mais tivermos o hábito fundamental de resolvermos que decisão tomar, a que filme vamos assistir, que roupa devemos vestir, quando começaremos a nova dieta... O que haverá depois da esquina que nos separará e não nos dará mais espaço para discutirmos o futuro da humanidade, a estética literária vindoura, quando não mais for religioso nos embriagarmos com a vodka mais barata do supermercado mais pobre num dia banal e sem pretensão.

O que advirá no além curva que certamente nos tomará feito turbilhão e nos alquebrará e nos fará engolir a seco a descoberta de que o tempo todo fomos átomos e nos julgávamos tão inseparáveis, tão inquebráveis e nos vermos feitos em elétrons e prótons dispersos no moinho triunfante  que é o mundo, que há de destruir os sonhos mesquinhos, reduzindo a pó até o que se crê indivisível? 

E que curvas você vai tomar quando eu mesmo já tiver tomado tantas outras? Que novas crenças adquiridas vão fazer o favor de nos separar? Por que ideias vamos nos afundar no nosso hibridismo? E... a que distância você vai gritar por mim? E eu só preciso discernir sua voz a me chamar no meio da desgraça em que nos encontraremos, no meio da muvuca, da multidão de nossos dias, e lhe garanto um minuto de minha ausência, que será rompido com minha chegada em seu socorro. Lá estarei eu, munido dos outros três, com nossa tradicional Komaroff, uma kanga e um gramado nas costas, para que sentemos e possamos chorar as desgraças do advindo, rir os risos do presente e fantasiarmos as glórias do por vir. Aleluia! Havemos de ser nós tanto quanto as curvas se impuserem mais ainda. E seremos lindos. E seremos tantos, tanto mais que tudo. Três, cinco, dezenas de nós mesmos mergulhados num abraço coletivo e nosso. A literatura nos conta que não resolve marcarmos o chão com migalhas de pão. Havemos, assim, de ter GPS, irmãos.

Feliz Aniversário, Tamara! 

sábado, 19 de junho de 2010

Eu, Narciso meu e minha pena

Uma estância de mim

Escrevo:
- Para compreender a mim e a minha existência: ao passo que escrevo sobre algo, compreendo de dominá-lo, pois passa a ser meu domínio, e quase o esgoto por um instante.

- Para preencher minha alma: não tenho mais religião, não sei por anda Deus e preciso de alguma transcendência na minha vida. 

- Para desenhar possibilidades: imagino como seria minha vida, se certas coisas tivessem acontecido e projeto em personagens minhas ânsias para toda a vida. 

- Para emocionar-me: conforme escrevo ou leio o que escrevi, sou tomado de grande emoção, afinal me vejo frente a um espelho; como se eu estivesse sentado diante de minha própria alma.


Outra estância de mim

Publico: 
- Porque, no mínimo, sou acometido de alguma pretensão: creio que o que fala, fala sempre do alto de um pedestal; crê-se poderoso a ponto de ser merecedor da atenção de outrem. Julga que o que tem a dizer, pode surtir efeitos, salvar, libertar ou destruir seu ouvinte. Falar, tornar-se público, é um fazer de absurda pretensão. 

- Porque, se me julgo digno de ser publicado, creio-me merecedor da aplausos: há artista, ou pretenso artista que seja, que não anseia aplausos e vivas? Pois, por mais recluso que seja um artista, se ele expõe sua obra, já há nisso alguma vaidade. Gosto dos elogios, minha mãe e professoras me criaram assim. Aquele que não espera nenhuma glória e cria arte só para explorar-se, explorar a própria alma, não publicaria nada, engavetaria tudo e nem mostraria a ninguém, nem alimentaria desejo algum de que seus trabalhos fossem apresentados um dia, mesmo que postumamente. 
De fato, quando escrevo, me busco, me acho e logo me perco, mas acho-me em algum instante, ao menos. De fato, quando recebo pareceres elogiosos, me amo. Mas não me tome por inseguro: adoro alguma coroa, mas não amargo uma decapitação. Escrevo para me alimentar, publico para alimentar o meu Narciso. No fim, o Salomão da velhice e da loucura tem alguma razão quando fala sobre vaidade.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mudança

Mudanças se fazem necessárias. Senão, a gente fica estagnado e se levando a sério demais com as certezas tranquilas... Não tomem este testículo como encorajamento para não comentarem no texto abaixo... Este só existe em função da mudança do Layout...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Minha pena é de Edgar

Outras vezes, sonhos de não poderem ser sonhados. Daqueles, que uma vez sonhados, trazem-me a dor durante todo um dia. Amargo o acordar, eu. Ver-me outra vez tal qual estou, tal que dói em mim. Tal qual me vejo, projeção do que sou em algum estágio que nem me conheço. Ele não está do meu lado, mas volta a atazanar-me em sonhos outra vez e não são sonhos voluntários de eu estar acordado. São os sonhos que alma pede ao subconsciente que lha dê. Afinal, alma pode viver os sonhos, ela está no meio do absurdo que se desvenda e se faz e é seu plano, seu palco de ação.

Ela diverte-se na madrugada enquanto durmo, ela sorri, o abraça e o tem mais perto do que nunca antes. Edgar está lá outra vez. A alma clama por ele. Clama por seus olhos castanhos, só dele, clama pelo Edgar mumificado em meus pensamentos. E o subconsciente trafica para a alma em forma de sonho aquele entorpecente, restando-me a ressaca, a rebordosa de um dia seguinte todo de dores de não tê-lo. Ela curte sua gandaia e me deixa a conta do botequim. Sou eu quem sofre dos excessos da minha alma.

Edgar não me deixo. Ele fica em mim, permanece nos meus sonhos, mesmo quando estou dormindo. Absurdo! Minha alma carece do ideal do homem perfeito que desenhei e oportunamente tem o rosto dele e nada além do rosto, uma vez que não é real; e não passa de projeção. Mas, se sonho com ele, meu dia se torna cinza, como gosto do inverno! É a dor inerente a todo prazer. A conta no dia seguinte, a paga.

E ele nem existe, nem é alguém que se possa encontrar pela rua, mas em páginas, em películas, em ondas. Eu queria sentir Edgar, mas isso nunca se daria; por mais que, aqui, ele estivesse, ele não estaria. Há dois dele. O meu e o outro, de quem roubei o rosto e alguns traços do caráter. Só. O amor de minha vida imaginária, da hora de dormir, das horas de ignorar as conversas chatas. De todas as horas em que fechar os olhos e fingir um mundo era a melhor opção. Adoeço-me, e sou agente deste fazer. Adoeço-me. Adoece-me também Edgar, que não deixa de ser eu em socorro e resposta à desilusão de mim.



P.s.: “Pena¹: ... 2. Laminazinhade metal, terminada em ponta, que adaptada a uma caneta, serve para escrever ou desenhar.

Pena²: 1. Castigo, punição, penalidade. 2. Sofrimento, aflição. 3. Compaixão, dó. 4. Mágoa, tristeza. 5. Bras. Punição imposta pelo Estado ao delinquente ou contraventor.” (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira)

P.p.s.: Foto: Caneta utilizada pela Princesa Isabel no ato da assinatura da Lei Aurea, que por sua vez libertava os cativos à escravidão.

sábado, 15 de maio de 2010

Escreve, invento, vivo


Escrever tornou-se meu vício e minha virtude, meu consolo e algoz. Minha chave e meu cadeado. É o que preciso. É o que mereço. Vezes, escrevo, não por querer ou por ter me vindo alguma ideia brilhante: escrevo porque me forço, me forço porque preciso. Me obrigo a sentar-me e extrair de mim algum lirismo, algum feito estético, alguma beleza na feiúra de meus dias. Juntar as palavras e dar-lhes o sentido que só podem ter juntas umas das outras e o sentido que só mesmo eu posso dar a elas...
Sou escritor? Sou “autor de composições literárias e/ou científicas” como define o avô da Miúcha? Desta vez, e é a única de que me recordo, acho que Aurélio pecou. Escritor é mais que isso. Seria mais adequado dizer que se trata de um ser doentio e doente, que vê, na pena, a única saída para sua dor, conflitos, desilusões. É na ponta de sua pena, dedos, teclados, que esse ser, amaldiçoado por sua maior dádiva, se vê livre e escravizado. É uma via de mão dupla, bem como a vida sabe ser. Toda dádiva tem seu carma. Todo carma, a sua delícia. Onde, então, deveria morar a delícia?
Toda vez que escrevo, debruço-me sobre o cavernoso dom de viver. E como é feio, dolorido, ou lindo. Há sempre que se extrair dúbios regalos, bons, ruins, maravilhosos ou podres. Escrever tomou conta de mim: vezes invento dores só pra escrever sobre elas, n’outras, invento as mesmas dores só pra dizer que estou vivo, que sinto, que choro por coisas que invento. Vezes, invento príncipes que me salvam e escrevo sobre eles para que salvem os personagens onde tenho espelhos. Mesmo os que não gostam de espelhos. Os tenho aos montes. Eu não gosto de espelhos. Acho que não gosto de mim. Gosto. Se não gostasse não estaria dizendo tão bem do que faço. Acho que não gosto de saber que gosto. Afinal, com a certeza de que gosto de mim, lá se vai mais uma dor da qual escrever; mas não gosto mesmo é de espelhos.
O, um dia, avô de Marieta Severo, deveria, então, ter dito, pra que se sacraliza-se, que o escritor é um bom filho da puta. Nisso se resolveria toda a dor de séculos de etimologias vazias e nomenclaturas descartáveis. A origem do escritor está em ser filho da puta, ora por ser desgraçado demais, ora por ser afortunado demais. Por precisar inventar dores, por gostar de inventar amores, por chorar por esses amores, por rir das mesmas dores. Um filho da puta fingidor, que finge completamente e finge que a vida é dor, pra que ela não tenha que doer de verdade o tanto que ela tem de ser doída...
Escrevo pra contar pra mim, histórias que eu gozaria se lesse. Ó, se vivesse. Escrevo também, para contar, aos outros, histórias que não sei como seriam reagidas. Escrevo. Eu escrevo pouco. Ninguém me perguntou se escrevo, o que escrevo, escrevo quanto. Ninguém me perguntou coisa alguma, se escrevo pretensiono um que leia. Óbvio e irrevogável! Escrevo para que alguém leia. Pra que eu exponha de mim, e consequentemente, expondo de mim, exponho a outrem, para que sinta também a dor, ou a farsa de dor que pareço sentir, o amor que gabo contar, a beleza ou a feiúra que jogo no papel.