Os dois primeiros parágrafos deste texto foram escritos minutos antes de eu comer um chocolate. Considero de grande importância destacar isso aqui e reutilizar esse trecho a fim de mostrar como o texto acabou tomando um caminho plenamente diferente do que eu pensava antes do chocolate.
Título idealizado pré chocolatinho: Of-LIFE, ou coisa parecida.
Levantar-se cedo e sair a fazer, a ser alguém ou a preparar o alguém que se virá a ser um dia. Acho que a vida não passa de um cumprir de tarefas agendadas mesmo antes de comprada uma agenda, mesmo antes de comprado um ser, mesmo antes de chegar a ter sido. Eu não queria incidir no piegas e perguntar mais o uma vez o que é a vida, mas já o estou fazendo. Quero não parecer infantil ou coisa do tipo com um questionamento tão tenro quanto este.
Parece que vivo pra atingir metas, chegar a lugares; sentar em cadeiras. É isso vida? Pleitear lugares de respeito? Quem sou durante o tempo em que persigo minha Cidade de Esmeralda?
Daí, fui à cozinha, pois a água do café estava fervendo (não suporto café de cafeteira, tem que ferver a água e usar o coador...). Então, lembrei de pegar um pedaço de chocolate, nada extraordinário de mais: Hersheys, por sinal. Voltei pro meu palco, digo, PC e, munido de café mordi um pedaço de chocolate e me foi impossível escrever coisa outra além de:
E vem-me o gosto do chocolate me tomando as noções da língua, e um café quente faz queimar o meu céu da boca, mas tudo vai começando a parecer melhor e Lily Allen que já estava no ouvido, vai se tornando mais audível com suas críticas suaves e engraçadas. A vida não tem sentido mesmo, tem? Ela não é um jogo, onde você tem de tirar no dado a sua profissão, pôr um pino no carrinho a cada filho angariado e nem virar um magnata no final. A vida, diferente do jogo, que se diz dela, não termina quando você se torna um magnata. Há o depois. Há o que vir no adiante. Deixar ser, deixar acontecer. Não ganha aquele que conta mais dinheiro, o tal que teve mais hotéis no Morumbi. Não ganha o dono da Av. Nossa Senhora de Copacabana. Não ganha o infeliz que vive caindo na prisão ou nas garras do leão.
Talvez o vencedor seja aquele que teve de desenhar Lucélia Santos em “Imagem e Ação” ou aquele teve de fazer uma mímica de “A rosa púrpura do Cairo” ou de “O ultimato Bourne”. A vida é um jogo em que o vencedor é aquele que viveu, não o que correu atrás dela, ávido por ela e por se alguém dentro dela. Vence na vida, aquele que nunca pretendeu isso, assim como a Pedra Filosofal vai parar nas mãos de quem não almeja usá-la para benefício próprio. A vida talvez queira ser vivida sem a pretensão de seus viventes. Que dancem. Dancemos. Que pulemos! Comamos mais chocolates. E é bem isso o que devo fazer agora mesmo, acho que as endorfinas estão outra vez se aprisionando. O efeito chocolate é um mero paleativo e se vai, se esvai e me deixará só tão logo. Gostaria de assistir o “Conde de Monte Cristo” ou “Mudança de hábito”, vai ver seja preciso um “Jardim Secreto”.



